MENSAGEM DO CULTO DE AÇÃO DE GRAÇAS:

Palha ou Trigo? No domingo, dia 19 de julho, festejamos o nosso “Culto da Ação de Graças” em nossa Comunidade de Itoupava Central. Nele agradecemos pela “colheita” que Deus nos oportunizou. Se não colhermos os frutos no “Jardim da nossa Vida”, tudo vai virar mato ao nosso redor. Quer dizer, cabe-nos fazer a colheita para, novamente, guardarmos as sementes que semearemos em 2016.
Nós colhemos o que a natureza nos presenteia. As frutas, as verduras e os cereais serão armazenados para podermos subsistir no tempo do “inverno”. Em vista disso, precisamos caprichar com o produto colhido. Secar a colheita em lugares apropriados e conservar outros; ficar de olhos abertos e coração antenado no produto do trabalho das nossas mãos.
Nós colhemos aquilo que Deus nos presenteou. Guardem isso: A colheita não é fruto exclusivo do nosso suor. Os frutos não madurecem pelo fato de querermos que assim seja. A palavra "colheita" nos remete para a colônia, para a roça. Ofato é que também colhemos os frutos do nosso trabalho e ele nos tira muita força e muito tempo; colhemos os frutos dos nossos relacionamentos; colhemos os frutos da nossa fé que cuidamos e, ao mesmo tempo, repartimos na Comunidade. Sim, nós agradecemos por toda esta "colheita".
Notem que em cada colheita também existe a palha. Coisas que não necessitamos; detalhes que nos incomodam; objetos que não podemos carregar para dentro do "inverno" da nossa vida são “palha”. Lembrem-se: Só podemos fazer a farinha do grão de trigo depois de descartarmos toda a palha que o envolve. Jesus sempre deixou isso claro: “Temos que separar a palha do trigo!”
Conheço crianças que têm os seus quartos abarrotados de brinquedos. Elas não brincam mais com alguns deles porque cresceram, mas eles continuam ali, empilhados, ocupando espaço. Aí então é assim que quando elas ganham um presente novo, nem dá para brincar direito porque tudo é muito apertado. Nessas horas estes presentes velhos deveriam ser repassados adiante.
Nos nossos escritórios sempre têm papéis, livros velho que não usamos mais. Nos sótãos e nas despensas das nossas casas e até nalguns cantos das salas da nossa Comunidade também há um sem número de utensílios que nunca mais ninguém vai usar. Vocês sabem do que eu estou falando: Esse negócio de ficar carregando tralhas que nunca mais serão usadas prejudica o bom andamento da vida.
É assim que nos esforçamos com o carregamento de objetos sem sentido. Eles são cargas que, no final das contas, nos tiram as forças. Penso nos velhos costumes que não nos fazem bem; nas amizades que não nos dão a atenção que nós damos; nas lembranças que carregamos desde o tempo de crianças e que já pertencem a um passado longínquo e, por isso mesmo, não nos dizem mais respeito; nas crenças que desconhecemos as origens, mas que, no fundo, nos fazem medo ou até nos são incompreensíveis, nos atrapalham na vivência da esperança e da certeza ao lado de Deus.
Sim temos que nos libertar destas coisas inúteis para arrumarmos lugar para outras que sejam úteis. Às vezes isso parece difícil: Largar ao vento, deixar no caminho o que é pesado e desnecessário. Nós não precisamos guardar tudo aquilo que ganhamos ou colhemos e até podemos nos separar de algumas dessas coisas.
Cabe-nos separar a palha do trigo. Essa palavra que brota da Bíblia é de João Batista: “Com a pá que Jesus Cristo tem na mão ele vai separar o trigo da palha. Guardará o trigo no seu depósito, mas queimará a palha no fogo que nunca se apaga.” (Mateus 3.12)
Muitas das imagens da Bíblia são oriundas da terra. Conosco não é diferente. Naquela época se colocava as sementes sujas de palha numa peneira e se jogava as mesmas para cima. A palha ficava ao sabor do vento, enquanto as sementes caiam limpas na peneira. A palha era queimada.
Quando uma pessoa está “brilhando” se diz que ela está tendo sucesso. Na Bíblia o trigo é um exemplo para o sucesso. No Salmo 147.14 se lê: “Ele conserva a paz nas fronteiras e alimenta o povo com o melhor trigo.” Deus quer nos dar o melhor para vivermos a nossa vida. Ele quer nos saciar. Ora, esse presente que Deus quer nos alcançar precisa de espaço na nossa vida. Se nós já estamos preenchidos com toda sorte de quinquilharias, ainda só existe pouco espaço para aquilo que há de melhor.
Ora, lá onde algo novo precisa entrar, algo velho precisa sair. Foi isso que João Batista quis dizer quando sugeriu que separássemos a palha do trigo. É mais do que necessário separamos o importante do desimportante; o bom do ruim; o certo do incerto; a fé da falta de fé. Nós também podemos nos separar daquilo que não serve mais para a nossa vida; daquilo que atrapalha o nosso viver; daquilo que nos tira a alegria da vida.
Quando fizermos isso, descobriremos os frutos; o espaço aberto em nós para acomodação do trigo. Nessa hora vamos agradecer a Deus pelas bênçãos que Ele derramou no nosso coração e junto, gozaremos desta alegria abundante. É isso o que queremos! Separar a palha do trigo... Os colonos sempre fazem isso para produzir o seu pão. Façamos assim também para a vida com Deus! Amém!
Pastor Renato Luiz Becker