CAPELA DO SALVADOR CHEIA PARA O CULTO DE LOUVOR E GRATIDÃO:

Aconteceu no dia 24 de abril de 2016, o Culto de Louvor e Gratidão na Capela do Salvador. Muitos membros louvaram e agradeceram este momento.

A prédica proferida pelos Pastores Mauri e Renato.

Morte e Vida!
Queridas amigas e queridos amigos! Faz alguns dias, um colega meu tirou sua vida. Essa atitude mexeu muito comigo e, por isso, decidi estudar esse assunto da “morte e da vida” mais a fundo. Assim, a passos lentos, vou repartir um pouco daquilo que “apreendo”.
É assim que, nos dias de hoje, ainda há quem defenda a ideia de carros fúnebres camuflados com cores neutras. Por quê? Ora, para não assustar as pessoas que passam pelas calçadas com o tema da morte, que é o destino comum de todas as pessoas. Parece que a morte está sendo removida de nosso dia a dia. Será que a mulher e o homem de hoje são incapazes de refletir sobre a morte e o morrer? Será que a terceirização do contato com as queridas e com os queridos que partem desta vida é fruto desta filosofia? Outro dia ouvi a gravação de um canto de pássaros, durante uma encomendação fúnebre. O que se quer com isso? Ora, fingir que a vida segue seu ritmo sem perturbações. Que coisa! São poucas as pessoas que conseguem suportar a ideia do descanso final dessa vida agitada...
Ora, esse “descanso” é fundamental. Vamos à Bíblia. Ela explicita que os nossos dias estão contados. Portanto, prepare-se, você vai morrer. Quando será isso? Ninguém sabe! Sim, a vida anda de mãos dadas com a morte. A morte faz parte da vida. Quando o chão some debaixo dos pés, ou melhor, quando as “muletas” que usamos para nos mantermos de pé ficam quebradiças, daí surge a pergunta das perguntas: - Onde agarrar-se?
Agarrar-se na fé em Jesus Cristo é preciso. No momento da morte, quando não podemos mais dominar a nossa vontade e nem tampouco nos envolver com as pessoas e com as coisas que nos cercam, nessa hora Deus continua a se ocupar conosco. Lá onde a morte aporta, ali já está Deus e, se Ele ali está, a vida já grassa naquele lugar. Isso mesmo! A morte não é um caminho sem esperança, pois também nela ficamos seguras e seguros em Deus, ao partirmos da vida para descansarmos em paz. Notem que nós não sobrevivemos à morte porque temos uma alma imortal. Nós sobrevivemos à mesma porque Deus mantém Sua relação conosco e porque as páginas da nossa história, abençoadas por Ele, não podem ser rasgadas, mas continuar sendo escritas.
Agora, se perguntarmos sobre a continuidade da nossa vida depois da morte, haveremos de nos decepcionar: - Não existe nenhuma informação sobre essa nova realidade. A Bíblia só nos informa que podemos nos segurar na fidelidade de Deus. Aliás, a Palavra de Deus só sustenta que a vida continua após a morte. Cabe-nos, portanto, trabalharmos esse assunto em vida, com base na nossa fé. As pessoas que creem em Jesus Cristo; que levam a sério a Sua vida e os Seus ensinamentos; que entendem a mensagem do Seu sofrimento, morte e ressurreição e que sabem do Seu amor, essas podem confiar que serão conduzidas para dentro da eternidade.
Outro dia eu li sobre o pai do grande teólogo Adolf Schlatter. Conta-se que ele estava morrendo e que havia irmãos piedosos em torno de sua cama. Estes irmãos tentavam dar conforto ao amigo com palavras do tipo: - Mais um pouco estarás passeando por ruas calçadas de ouro; estarás apreciando um mar cristalino; estarás percebendo o brilho do Trono do Cordeiro de Deus. Era desse jeito que aqueles homens desempenhavam seu papel de cuidadores. Ao ouvir estas palavras melosas, o homem que estava para morrer juntou suas últimas forças para dizer: - Deixem-me em paz, pois quero pendurar-me no pescoço do Pai! Sim, podemos nos pendurar no pescoço de Deus para sentirmos segurança e paz. Quem nos promove esta possibilidade é a nossa fé e é com ela que podemos reagir a todas as especulações sobre as perguntas do “onde”; do “quando” e do “como” vai ser a vida eterna, depois que a morte nos assaltar.
A nossa vida ganha outra perspectiva quando pautada na ressurreição de Jesus Cristo. É em vista disso que não temos nenhuma razão para fugir da morte. Nós não somos pessoas ingênuas e, por isso, não necessitamos que o carro que nos conduza ao cemitério seja pintado com cor neutra. Podemos enfrentar a morte de cabeça erguida, com esperança, a partir da liberdade que Deus nos presenteia. Quem entende a vida como uma concorrência com a morte procura viver intensamente na busca do lucro máximo. Cremos que a pessoa cristã até precisa competir. Seria algo irreal se isso não acontecesse. Se assim fosse, ao invés de vivermos a Paz de Deus, viveríamos uma paz de cemitério.
Gente, a nossa vida não depende mais da concorrência com a morte. As pessoas que sabem da vitória de Jesus Cristo veem a vida de outro modo e não mais apenas como um “jogo” cheio de limites. Mesmo sabendo disso, a morte tem o poder de mudar algo em nós. A vida que segue não depende mais da concorrência com a morte. Enquanto competimos visando o lucro, as nossas irmãs e os nossos irmãos só significam algumas “peças” neste “jogo de xadrez”. Estas pessoas são aliadas ou inimigas; são portadoras e portadores de funções; são atrizes e atores que são contra ou a favor de nós. Esta luta é travada durante a nossa vida e precisa ser vencida até o dia da nossa morte. Agora, quando estamos conscientes da vitória de Jesus, a vida se transforma em bem mais do que um “jogo” limitado. Nessa hora, a outra pessoa não é mais alguém com uma função. Ela é alguém à qual Deus também pensou um futuro eterno.
E eu digo mais: a certeza de superar a morte leva à “desintoxicação” da relação de umas com as outras; de uns com os outros. Esse jeito de ser pode interferir profundamente nos conflitos políticos, econômicos, sociais e profissionais – porque não? A morte está derrotada. Isso é verdade. Portanto, podemos viver pela outra pessoa, pelas pessoas que são vizinhas, pelas pessoas que nos são próximas. Claro que a morte sempre oportuniza ações ferozes. Todo dia morrem pessoas e todos nós haveremos de morrer.
Penso que aqui caiba esta oração: “Senhor, como tu o queres, assim se faça comigo; e como tu o queres, assim eu quero ir, apenas ajude-me a entender a tua vontade. Senhor, quando tu o queres, então é o tempo; e quando tu o queres eu estou pronto, hoje e por toda a eternidade.”
Fiquemos espertas e espertos. A morte significa sofrimento para nós e para os nossos semelhantes. Cabe-nos ajudar as outras pessoas a suportar este sofrimento e, nestas horas, as palavras piedosas pouco ajudam. Estar aí um para o outro – é isso é o que vale, o que importa. Vivamos a vitória da Páscoa.